No contexto atual da comunicação, tem se falado que as agências estão perdendo espaço para as consultorias especializadas. Como sócia da Aurora, uma consultoria especializada em branding, fico numa posição sensível para tocar em um tema tão delicado. Principalmente pelo fato de grande parte da minha trajetória profissional ter sido construída em agências de publicidade com foco em diferentes perfis, mercados e tamanhos. E, exatamente por essa vivência, aceitei o desafio de opinar.

A experiência da Aurora desde sua criação, há 7 anos, tem mostrado que cada um dos dois negócios tem um papel e uma relevância. No mundo ideal, o cliente deveria contar com ambos: agência e consultoria. Ao invés de prever a morte das agências – apesar de ter certeza que esse modelo de negócio jamais será como era antes, e fazer profecias sobre o sucesso das consultorias, prefiro pregar a complementaridade dos dois serviços.

Parceria

Há 3 anos, somos parceiros da Fórmula, onde cada empresa assume sua especialidade, gerando valor para ambas e, principalmente, para as marcas dos clientes da agência.

Se fizermos uma analogia de que uma marca é como uma pessoa, posso afirmar que o branding é a alma e o corpo, e a comunicação o discurso e o encantamento. O ciclo funciona assim: não existe comunicação sem branding. Ao menos não deveria existir.

Um fato comprovado é que, antes de sair comunicando por aí, uma marca deve passar por um ‘exame de DNA’, que define quem ela é, sua essência, crenças e forma de pensar e de agir. O que ela realmente entrega de relevante para as pessoas e como faz isso de forma própria e única em seu mercado de atuação. É a etapa do trabalho da Aurora. Só então, com identidade e personalidades bem definidas, a Fórmula entra em ação e implementa a comunicação de forma muito mais assertiva e autêntica.

Resumindo, o ciclo começa pelo branding e então segue com uma agência. Assim, estamos todos no mesmo barco e remando na mesma direção: cliente, consultoria e agência.

Especialistas em muitas competências não conseguem ser especialistas.

Acredito que o problema do negócio das agências não é ter perdido sua relevância para as consultorias, mas sim o fato de tentarem convencer seus clientes que elas fazem o que as consultorias fazem. É aí que existe distorção e valor.

Agência de propaganda que também é especialista em branding, digital e design? Desconfie! Consultoria de branding que faz propaganda, digital e RP? Desconfie também. Ninguém sabe de tudo e de todos o tempo todo. É preciso ser humilde para admitir suas forças e fragilidades.

Talvez aí esteja a essência do debate: as agências não estão sendo devoradas pelas consultorias porque perderam sua relevância. Talvez estejam sendo devoradas por elas mesmas ao insistir que são clínicos gerais que também atuam como dermatologistas e cardiologistas.

Isso não existe. Nem na medicina, nem no nosso negócio.

Viviane Camargo, Publicitária formada pela PUC-PR e pós-graduada em Marketing pela ESPM-SP, trabalhou por mais de 15 anos como Diretora de Contas e Diretora de Atendimento de agências como DM9DDB e MCCANN-ERICKSON, e como Diretora Geral da JWT Curitiba.

 

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